Em 2026, freight management deixou de ser “comprar frete bem” e virou governança de custo total, previsibilidade e risco. Empresas que operam logística internacional estão otimizando não apenas tarifas, mas também variabilidade, exceções, compliance e a qualidade do dado que sustenta cada decisão.
O resultado prático é claro: menos surpresa no P&L, menos urgência na operação e mais capacidade de escala. A seguir, estão os movimentos mais consistentes que aparecem nas empresas que estão elevando maturidade de frete internacional neste ciclo.
O que mudou em 2026: previsibilidade virou vantagem competitiva
Mesmo quando o mercado sinaliza alívio de taxas em determinados períodos, a instabilidade operacional segue relevante. Um indicador simples ajuda a enquadrar o problema: a confiabilidade global de programação de navios (schedule reliability) ficou em 61,4% em outubro de 2025, com variações por rota e armador.
Para o C-level, esse tipo de cenário empurra a otimização para além de preço: quem governa previsibilidade tende a proteger receita e margem com mais consistência do que quem apenas “negocia melhor”.
Otimização 1: migrar de gestão de frete para gestão de portfólio
Empresas mais maduras em freight management tratam frete como portfólio, não como evento. Na prática, isso significa segmentar fluxos por criticidade e desenhar políticas diferentes para cada grupo.
- Fluxos críticos (impacto direto em receita, linha de produção, clientes estratégicos): priorizam previsibilidade: contratos com SLAs claros, rotas mais estáveis, alternativas pré-negociadas e governança de exceção.
- Fluxos táticos (menos sensíveis a prazo): permitem mais otimização de custo: janelas maiores, consolidação, flexibilidade de modal e maior exposição a spot quando faz sentido.
O ganho executivo aqui não é “pagar menos”. É reduzir o custo invisível de decisões reativas, que quase sempre aparecem como urgência e exceção.
Otimização 2: redesenhar a estratégia de contratação (contract vs spot) com base em risco
Em muitos mercados, a conversa de 2026 voltou a incluir renegociação de termos e busca por condições contratuais mais favoráveis quando taxas suavizam. Só que a decisão correta raramente é “contrato ou spot”. É uma combinação governada por:
- sensibilidade do negócio à variabilidade;
- custo de ruptura e custo de urgência;
- necessidade de capacidade garantida;
- apetite a risco por corredor e mercado.
A prática que mais aparece em empresas enterprise é definir limites: qual percentual do volume pode ficar exposto, em quais rotas, e com quais gatilhos de proteção.
Otimização 3: visibilidade como disciplina de decisão, não como rastreamento
Muitas empresas ainda confundem visibilidade com tracking. As empresas que estão avançando em 2026 tratam visibilidade como base de decisão: cada evento logístico precisa virar insumo para custo total, previsão e risco. Isso exige dado padronizado.
Organizações internacionais vêm reforçando esse caminho há anos: a WCO descreve o WCO Data Model como uma base para interoperabilidade e troca padronizada de dados transfronteiriços, apoiando iniciativas como Single Window e analytics.
No transporte aéreo, a IATA promove o ONE Record como padrão para compartilhamento de dados com um modelo comum e APIs, visando uma visão única do embarque. Para o C-level, o ponto é direto: sem padronização, não existe escala de automação, e sem automação, o custo de coordenação vira um imposto permanente no frete internacional.
Otimização 4: incorporar carbono e regulação no custo total do frete
Em 2026, o custo regulatório deixou de ser “nota de rodapé” em algumas rotas. Um exemplo prático é o EU ETS para shipping: armadores comunicam que, a partir de 1º de janeiro de 2026, será exigida a entrega de allowances para 100% das emissões verificadas de CO₂ em viagens envolvendo portos da UE.
Em paralelo, o IMO mantém instrumentos como o EEXI e o CII como base de eficiência e avaliação de intensidade de carbono operacional.
O que empresas líderes estão fazendo:
- modelar impacto regulatório por rota e por cliente (para evitar surpresas em margens);
- diferenciar estratégia de contratação conforme exposição regulatória;
- exigir transparência de surcharges e critérios de cálculo;
- fortalecer governança de dados de emissões e compliance para auditoria e reporte.
A consequência executiva é relevante: decisões de frete baseadas em freight management passam a ter efeito direto em precificação, competitividade e acesso a mercados.
Otimização 5: governança de exceções para reduzir custo invisível
O maior vazamento de valor em frete internacional raramente está no preço negociado. Está nas exceções: armazenagem extra, reprocessamento, atraso com impacto em produção, urgências, demurrage/detention, refações documentais.
Empresas que otimizam em 2026 criam uma disciplina simples:
- categorizar exceções por causa-raiz (e não por “culpado do dia”);
- medir custo total de exceção (não só custo logístico direto);
- definir owners e metas de redução por tipo de exceção;
- automatizar gatilhos de alerta e decisão antes de virar urgência.
Quando essa governança existe, a empresa para de “apagar incêndio” e começa a reduzir a frequência de incêndios.
Otimização 6: colocar o C-level no lugar certo do processo
Freight management não escala quando vira uma soma de decisões locais. Ele escala quando o C-level define regras do jogo:
- quais fluxos merecem previsibilidade acima de economia marginal;
- qual é a política de trade-off entre custo, prazo e risco por corredor;
- quais dados são críticos e qual padrão é inegociável;
- como o custo total (incluindo regulação e exceções) será medido e cobrado.
Esse enquadramento cria consistência e reduz decisões contraditórias entre áreas, fornecedores e regiões.
O que empresas ganham quando freight management vira governança
Quando freight management é tratado como disciplina executiva, os ganhos tendem a aparecer em três frentes:
- margem mais previsível, com menos volatilidade causada por exceções e urgência;
- redução do custo invisível, por menor retrabalho e menos decisões reativas;
- mais escala, porque a operação deixa de depender de conhecimento tácito e passa a depender de processos e dados governados.
Se sua empresa quer evoluir de “gestão de frete” para “governança de frete internacional”, vale revisar a arquitetura: segmentação de fluxos, estratégia de contratação, padronização de dados, visibilidade acionável e governança de exceções.
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