Publicado em: 22 de janeiro de 2026

Freight Management: como empresas estão otimizando frete internacional em 2026

Em 2026, freight management deixou de ser “comprar frete bem” e virou governança de custo total, previsibilidade e risco. Empresas que operam logística internacional estão otimizando não apenas tarifas, mas também variabilidade, exceções, compliance e a qualidade do dado que sustenta cada decisão. O resultado prático é claro: menos surpresa no P&L, menos urgência na […]

freight management

Em 2026, freight management deixou de ser “comprar frete bem” e virou governança de custo total, previsibilidade e risco. Empresas que operam logística internacional estão otimizando não apenas tarifas, mas também variabilidade, exceções, compliance e a qualidade do dado que sustenta cada decisão.

O resultado prático é claro: menos surpresa no P&L, menos urgência na operação e mais capacidade de escala. A seguir, estão os movimentos mais consistentes que aparecem nas empresas que estão elevando maturidade de frete internacional neste ciclo.

O que mudou em 2026: previsibilidade virou vantagem competitiva

Mesmo quando o mercado sinaliza alívio de taxas em determinados períodos, a instabilidade operacional segue relevante. Um indicador simples ajuda a enquadrar o problema: a confiabilidade global de programação de navios (schedule reliability) ficou em 61,4% em outubro de 2025, com variações por rota e armador.

Para o C-level, esse tipo de cenário empurra a otimização para além de preço: quem governa previsibilidade tende a proteger receita e margem com mais consistência do que quem apenas “negocia melhor”.

Otimização 1: migrar de gestão de frete para gestão de portfólio

Empresas mais maduras em freight management tratam frete como portfólio, não como evento. Na prática, isso significa segmentar fluxos por criticidade e desenhar políticas diferentes para cada grupo.

  • Fluxos críticos (impacto direto em receita, linha de produção, clientes estratégicos): priorizam previsibilidade: contratos com SLAs claros, rotas mais estáveis, alternativas pré-negociadas e governança de exceção.
  • Fluxos táticos (menos sensíveis a prazo): permitem mais otimização de custo: janelas maiores, consolidação, flexibilidade de modal e maior exposição a spot quando faz sentido.

O ganho executivo aqui não é “pagar menos”. É reduzir o custo invisível de decisões reativas, que quase sempre aparecem como urgência e exceção.

Otimização 2: redesenhar a estratégia de contratação (contract vs spot) com base em risco

Em muitos mercados, a conversa de 2026 voltou a incluir renegociação de termos e busca por condições contratuais mais favoráveis quando taxas suavizam. Só que a decisão correta raramente é “contrato ou spot”. É uma combinação governada por:

  • sensibilidade do negócio à variabilidade;
  • custo de ruptura e custo de urgência;
  • necessidade de capacidade garantida;
  • apetite a risco por corredor e mercado.

A prática que mais aparece em empresas enterprise é definir limites: qual percentual do volume pode ficar exposto, em quais rotas, e com quais gatilhos de proteção.

Otimização 3: visibilidade como disciplina de decisão, não como rastreamento

Muitas empresas ainda confundem visibilidade com tracking. As empresas que estão avançando em 2026 tratam visibilidade como base de decisão: cada evento logístico precisa virar insumo para custo total, previsão e risco. Isso exige dado padronizado.

Organizações internacionais vêm reforçando esse caminho há anos: a WCO descreve o WCO Data Model como uma base para interoperabilidade e troca padronizada de dados transfronteiriços, apoiando iniciativas como Single Window e analytics.

No transporte aéreo, a IATA promove o ONE Record como padrão para compartilhamento de dados com um modelo comum e APIs, visando uma visão única do embarque. Para o C-level, o ponto é direto: sem padronização, não existe escala de automação, e sem automação, o custo de coordenação vira um imposto permanente no frete internacional.

Otimização 4: incorporar carbono e regulação no custo total do frete

Em 2026, o custo regulatório deixou de ser “nota de rodapé” em algumas rotas. Um exemplo prático é o EU ETS para shipping: armadores comunicam que, a partir de 1º de janeiro de 2026, será exigida a entrega de allowances para 100% das emissões verificadas de CO₂ em viagens envolvendo portos da UE.

Em paralelo, o IMO mantém instrumentos como o EEXI e o CII como base de eficiência e avaliação de intensidade de carbono operacional.

O que empresas líderes estão fazendo:

  • modelar impacto regulatório por rota e por cliente (para evitar surpresas em margens);
  • diferenciar estratégia de contratação conforme exposição regulatória;
  • exigir transparência de surcharges e critérios de cálculo;
  • fortalecer governança de dados de emissões e compliance para auditoria e reporte.

A consequência executiva é relevante: decisões de frete baseadas em freight management passam a ter efeito direto em precificação, competitividade e acesso a mercados.

Otimização 5: governança de exceções para reduzir custo invisível

O maior vazamento de valor em frete internacional raramente está no preço negociado. Está nas exceções: armazenagem extra, reprocessamento, atraso com impacto em produção, urgências, demurrage/detention, refações documentais.

Empresas que otimizam em 2026 criam uma disciplina simples:

  • categorizar exceções por causa-raiz (e não por “culpado do dia”);
  • medir custo total de exceção (não só custo logístico direto);
  • definir owners e metas de redução por tipo de exceção;
  • automatizar gatilhos de alerta e decisão antes de virar urgência.

Quando essa governança existe, a empresa para de “apagar incêndio” e começa a reduzir a frequência de incêndios.

Otimização 6: colocar o C-level no lugar certo do processo

Freight management não escala quando vira uma soma de decisões locais. Ele escala quando o C-level define regras do jogo:

  • quais fluxos merecem previsibilidade acima de economia marginal;
  • qual é a política de trade-off entre custo, prazo e risco por corredor;
  • quais dados são críticos e qual padrão é inegociável;
  • como o custo total (incluindo regulação e exceções) será medido e cobrado.

Esse enquadramento cria consistência e reduz decisões contraditórias entre áreas, fornecedores e regiões.

O que empresas ganham quando freight management vira governança

Quando freight management é tratado como disciplina executiva, os ganhos tendem a aparecer em três frentes:

  • margem mais previsível, com menos volatilidade causada por exceções e urgência;
  • redução do custo invisível, por menor retrabalho e menos decisões reativas;
  • mais escala, porque a operação deixa de depender de conhecimento tácito e passa a depender de processos e dados governados.

Se sua empresa quer evoluir de “gestão de frete” para “governança de frete internacional”, vale revisar a arquitetura: segmentação de fluxos, estratégia de contratação, padronização de dados, visibilidade acionável e governança de exceções.

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David Pinheiro

Especialista em Supply Chain com mais de uma década de experiência no mercado de logística. Atuando como CEO e fundador da Cargo Sapiens, ele lidera iniciativas inovadoras para transformar o setor, combinando conhecimento técnico com uma abordagem estratégica e centrada em resultados.

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