Publicado em: 20 de janeiro de 2026

COGS: por que logística é uma decisão de margem

COGS não é apenas um número contábil. Para empresas com cadeia internacional, ele é a síntese de decisões comerciais (Incoterms, prazos, nível de serviço), decisões de suprimentos (sourcing, contratos, lotes) e decisões logísticas (modais, rotas, armazenagem, exceções). Quando o COGS sobe “sem explicação”, quase sempre existe uma explicação: custo real de servir maior do que […]

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COGS não é apenas um número contábil. Para empresas com cadeia internacional, ele é a síntese de decisões comerciais (Incoterms, prazos, nível de serviço), decisões de suprimentos (sourcing, contratos, lotes) e decisões logísticas (modais, rotas, armazenagem, exceções).

Quando o COGS sobe “sem explicação”, quase sempre existe uma explicação: custo real de servir maior do que o planejado, variabilidade gerando urgências e custos que foram parar no lugar errado.

A seguir, entenda como o C-level pode transformar COGS em uma agenda governável, com visibilidade sobre o que realmente move margem e onde a empresa está pagando “custo invisível”.

O que entra no COGS e por que isso importa para o board

Na prática, a fronteira entre “custo do produto” e “custo para colocar o produto pronto para venda” é onde muitas empresas perdem controle. Pela ótica de padrão contábil, a base é clara: o custo dos estoques inclui custos de compra, custos de conversão e outros custos necessários para levar o estoque à sua condição e localização atuais.

Para o board, o ponto não é debater norma, e sim garantir consistência de governança:

  • se custos “necessários” para trazer o item até a condição/localização de venda entram no custo, decisões de frete e desembaraço podem afetar diretamente a margem bruta;
  • se custos anormais (urgências recorrentes, desperdícios, falhas) estão sendo capitalizados indevidamente, o COGS fica artificialmente “bonito” no curto prazo e piora depois (quando o estoque gira).

Um exemplo importante: guias de prática contábil destacam que custos anormais de frete, manuseio e perdas não devem ser diferidos como parte do custo do estoque, e sim reconhecidos no período. Isso é governança de performance: separar o que é estrutural do que é exceção.

Incoterms como alavanca direta do COGS (e não só do comercial)

Muitas empresas tratam Incoterms como “padrão do comercial”. Só que Incoterms definem responsabilidades, custos e riscos entre comprador e vendedor. Traduzindo para C-level: Incoterms definem onde custos logísticos e riscos de transporte “moram” na operação e como isso afeta previsibilidade.

Duas empresas podem comprar o mesmo item, do mesmo fornecedor, mas ter COGS e volatilidade completamente diferentes por causa do termo negociado, do ponto de transferência de risco e de quem controla o transporte.

Perguntas que o board deveria exigir que fossem respondidas antes de “padronizar Incoterms”:

  • estamos comprando controle (para reduzir variabilidade) ou comprando preço (assumindo variabilidade)?
  • quem tem melhores condições de negociar frete, seguro e prazos: nós ou o fornecedor?
  • o termo escolhido aumenta a previsibilidade do landed cost ou cria caixa-preta de custos?

O custo invisível que contamina COGS: variabilidade e urgência

Quando a cadeia é previsível, o COGS tende a refletir decisões planejadas. Quando a cadeia é instável, o COGS vira uma mistura de custo planejado com custo de exceção: expedição emergencial, armazenagem extra, demurrage/detention, replanejamento, quebra de lote, retrabalho documental e perdas de eficiência.

E existe um multiplicador silencioso: estoque. Um parâmetro amplamente usado no mercado é que custos de manutenção de estoque (incluindo capital, armazenagem, seguro, perdas/obsolescência) frequentemente ficam na faixa de 20% a 30% ao ano do valor do inventário, variando por setor e empresa.

Para o board, isso muda o debate: “economizar no frete” pode sair caro se a decisão aumenta variabilidade e exige mais estoque de segurança. O COGS até pode parecer menor por unidade em uma conta isolada, mas o cost-to-serve e o custo de capital derrubam a margem econômica.

O erro de governança mais comum: olhar COGS sem landed cost e sem custo total de servir

COGS, sozinho, é um indicador tardio. Ele diz quanto custou, mas não explica por quê. Para governar, a gestão precisa de duas camadas acima.

  1. Landed cost confiável: custo completo até o ponto em que o item está pronto para venda/produção, com regras consistentes de alocação (frete, taxas, seguros, capatazia, armazenagem vinculada ao processo, etc.).
  2. Custo total de servir: custo por cliente/canal/mercado considerando variabilidade, nível de serviço e exceções. É aqui que aparecem as decisões que “comem” margem sem alarde.

Sem essas camadas, a empresa tenta melhorar margem cortando “tarifa” e continua sangrando em exceções.

Como o C-level transforma COGS em disciplina governável

A seguir estão movimentos estruturais (nível board/C-level) que costumam gerar impacto real e sustentável.

Definir uma política única de landed cost e exceções

O board deveria exigir uma política simples e auditável:

  • o que entra no custo do estoque/COGS por regra;
  • o que é considerado custo anormal (e deve ir para resultado do período);
  • como custos logísticos são alocados (por peso, volume, valor, unidade, pedido), com consistência.

Isso reduz discussões intermináveis e melhora previsibilidade de margem.

Separar custo “estrutural” de custo “de urgência”

Urgência não pode ser normalizada. Se o expediting é recorrente, ele é sintoma de desenho de cadeia ruim, não de “demanda do negócio”. A regra prática é tratar custo de urgência como categoria própria, com owner e meta de redução.

Governar Incoterms com lógica de margem e controle

Se Incoterms definem custos e riscos entre as partes, eles devem ser governados como alavanca de margem e previsibilidade, não como “preferência”. O melhor termo é o que sustenta o modelo econômico e o nível de serviço do mercado-alvo.

Medir o que realmente explica COGS (e não só o que é fácil)

Três indicadores executivos mudam o jogo:

  • variação do landed cost por corredor (não apenas média);
  • custo de exceção por período (e por causa-raiz);
  • % de custos anormais reconhecidos no período (para evitar “maquiagem”).

Transformar COGS em pauta de decisão, não de reporte

COGS precisa voltar para a mesa como decisão:

  • quais corredores exigem previsibilidade (e merecem contratos/capacidade)?
  • onde vale aceitar variabilidade para ganhar custo?
  • quais fornecedores/rotas estão gerando custo de exceção recorrente?

Esse é o tipo de conversa que protege margem e reduz surpresa no trimestre.

COGS como vantagem competitiva

Empresas que governam COGS como disciplina de cadeia conseguem fazer algo raro: precificar com confiança, reduzir capital travado e crescer sem que a complexidade destrua a margem. O diferencial não é “apertar custo” todo mês. É reduzir variabilidade, padronizar decisões e dar transparência ao custo total de servir.

Se você quer elevar o nível de governança sobre custos logísticos e tornar o COGS mais previsível, conheça o Cargo Sapiens e veja como estruturar visibilidade e padronização de ponta a ponta, da cotação à contratação, conectando decisões logísticas ao impacto econômico.

David Pinheiro

Especialista em Supply Chain com mais de uma década de experiência no mercado de logística. Atuando como CEO e fundador da Cargo Sapiens, ele lidera iniciativas inovadoras para transformar o setor, combinando conhecimento técnico com uma abordagem estratégica e centrada em resultados.

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