O Brasil encerrou 2025 com exportações em nível histórico, somando US$ 348,7 bilhões. Importações (US$ 280,4 bilhões), corrente de comércio (US$ 629,1 bilhões) e o superávit (US$ 68,3 bilhões) também reforçam um ambiente de comércio exterior mais intenso.
Para o board, esse recorde não é apenas um indicador macro positivo. Ele tende a aumentar a disputa por capacidade, elevar a variabilidade em corredores críticos e pressionar custos invisíveis (exceções, urgências, capital travado). O foco deixa de ser “exportar mais” e passa a ser “sustentar crescimento com previsibilidade, margem e compliance”.
O que os números sinalizam para risco e competitividade
O crescimento em volume acima do crescimento em valor indica que a cadeia precisará operar com mais produtividade para preservar margem. Ao mesmo tempo, importações crescendo junto com exportações elevam a intensidade do fluxo e a competição por janelas (portos, terminais, armazenagem, capacidade), o que tende a ampliar risco de atrasos e custos de exceção.
Esse efeito é especialmente relevante porque o transporte marítimo segue como base do comércio global, movendo mais de 80% das mercadorias por volume.
A forma mais objetiva de levar logística ao board: tempo e variabilidade
O dado do Banco Mundial ajuda a traduzir logística em linguagem de caixa: em média, 44 dias se passam desde quando um contêiner entra no porto do país exportador até sair do porto de destino, com desvio padrão de 10,5 dias.
Para governança, isso significa:
- tempo em trânsito e em nós críticos imobiliza capital e limita velocidade de resposta;
- variabilidade força buffers (estoque, alternativas, urgências), drenando margem sem aparecer na tarifa de frete.
Em um contexto de recorde e maior competição por capacidade, a disciplina do board precisa migrar de “custo médio” para “custo total e custo da variabilidade”.
Cinco perguntas que o board deve fazer após o recorde
- Onde estamos crescendo e quais corredores são críticos para receita e margem?
- Qual é a política de trade-off entre custo, prazo e risco por categoria de fluxo?
- Quanto do nosso custo logístico total está fora do frete (exceções, armazenagem, demurrage, urgências)?
- Quanto capital está imobilizado em trânsito e quanto disso é efeito de variabilidade?
- Temos visibilidade e simulação suficientes para reagir sem decisões emergenciais recorrentes?
A agenda prática para 2026: decisões estruturais, não microgestão
O recorde de 2025 tende a premiar empresas que tratam logística como disciplina de governança. Na prática, isso passa por:
- governança por corredores e criticidade (definir onde previsibilidade vale mais);
- contratos e fornecedores com critérios de desempenho e flexibilidade, não só preço;
- visibilidade ponta a ponta para reduzir exceções e custo invisível;
- simulação de cenários como rotina executiva (rota, modal, risco, impacto em caixa).
Se 2025 foi o ano do recorde, 2026 precisa ser o ano da maturidade: decisões explícitas sobre trade-offs, visibilidade e redução estrutural de variabilidade.
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