Durante muitos anos, o custo do transporte internacional foi tratado como uma variável operacional, absorvida por contratos de frete e repassada parcialmente ao preço final. Esse cenário mudou.
Em 2026, o contexto de custos logísticos em alta consolidou o transporte global como um tema estratégico, com impacto direto em margem, competitividade e planejamento financeiro — especialmente para empresas que importam ou exportam em grande volume.
Para conselhos e executivos C-level, entender essa dinâmica deixou de ser opcional.
O que está pressionando os custos do transporte global
A alta dos custos logísticos não é causada por um único fator, mas pela convergência de riscos estruturais que se reforçam mutuamente. Conheça os principais vetores.
Volatilidade geopolítica e rotas críticas
Conflitos regionais, tensões comerciais e restrições em corredores estratégicos — como canais, estreitos e zonas portuárias — aumentaram o risco operacional do transporte internacional. O efeito imediato é a elevação de prêmios de frete, seguros e custos indiretos associados a desvios de rota e atrasos.
Capacidade limitada e redes mais frágeis
Após anos de ajustes de capacidade no transporte marítimo e aéreo, o sistema opera com menor folga. Isso torna o mercado mais sensível a picos de demanda, eventos climáticos e rupturas pontuais, amplificando variações de preço.
Combustível, sustentabilidade e novas exigências regulatórias
A pressão por descarbonização, somada à volatilidade do preço do combustível, adiciona custos estruturais às operações. Novas regras ambientais, especialmente no transporte marítimo, já estão sendo precificadas nos contratos de frete.
Segundo o The Guardian, “a volatilidade nos custos de transporte e logística se tornou uma característica persistente do comércio internacional, com preços de frete subindo mais de 10 % e impactos diretos nos preços de bens como computadores e equipamentos elétricos,” indicando que essas pressões tendem a influenciar tanto negócios quanto consumidores em 2026.
Por que isso afeta diretamente empresas no Brasil
Para empresas brasileiras, o impacto dos custos logísticos em alta é ainda mais sensível por três razões principais:
- O Brasil depende fortemente do transporte internacional para insumos industriais, bens de capital e commodities.
- A distância dos principais centros produtores amplia o peso do frete no custo total.
- A volatilidade cambial potencializa qualquer aumento de custo logístico.
Na prática, isso significa que decisões tomadas na área logística hoje impactam diretamente indicadores financeiros acompanhados pelo board, como margem EBITDA, capital de giro e previsibilidade de caixa.
O erro mais comum: tratar o aumento de custos como algo conjuntural
Muitos executivos ainda operam sob a premissa de que os custos de frete “voltarão ao normal”. Essa leitura ignora uma realidade importante: a volatilidade logística deixou de ser exceção e passou a ser estrutural.
Empresas que tratam esse cenário como temporário tendem a:
- reagir tardiamente a aumentos de custo;
- perder poder de negociação com fornecedores logísticos;
- tomar decisões sem visibilidade de impacto financeiro real;
- expor o negócio a riscos operacionais e de compliance.
Para o board, isso se traduz em assimetria de informação — um dos maiores riscos em ambientes complexos.
O novo papel da logística na agenda do board
Diante desse cenário, a logística deixa de ser apenas uma função de execução e passa a cumprir três papéis estratégicos.
1. Alavanca de proteção de margem
Com dados confiáveis, é possível comparar cenários de frete, antecipar picos de custo e negociar contratos de forma mais estratégica, reduzindo a exposição financeira.
2. Fonte de inteligência para decisões de negócio
A visibilidade sobre custos logísticos permite avaliar a viabilidade de novos mercados, fornecedores e rotas com base em dados — não em estimativas.
3. Pilar de governança e compliance
Processos digitais e auditáveis reduzem riscos, aumentam transparência e facilitam o acompanhamento executivo e do conselho.
Como líderes estão respondendo a esse desafio
Empresas mais maduras já estão adotando algumas práticas-chave:
- centralização das cotações e contratações de frete em plataformas digitais;
- uso de dados históricos para simular cenários e apoiar decisões estratégicas;
- maior controle sobre processos de BID, SPOT e conferência de faturas;
- integração entre logística, financeiro e planejamento estratégico.
O ponto central é claro: não se trata apenas de reduzir custos, mas de ganhar previsibilidade, controle e capacidade de resposta.
A reflexão que fica para conselhos e executivos
Em um ambiente global cada vez mais volátil, a pergunta correta não é quanto custa o frete hoje, mas:
- temos visibilidade suficiente para antecipar riscos logísticos?
- conseguimos medir o impacto real do transporte nas margens do negócio?
- nossa estrutura atual permite decisões rápidas e bem fundamentadas?
Empresas que conseguem responder positivamente a essas perguntas transformam a logística em vantagem competitiva. As demais continuam reagindo a crises.
Conclusão
O aumento dos custos logísticos globais não é um ruído passageiro. É um sinal claro de que logística, supply chain e comércio exterior precisam estar no radar do board. Tecnologia, dados e governança deixaram de ser diferenciais operacionais e passaram a ser pré-requisitos para decisões executivas em um mercado global instável.
Para empresas brasileiras, essa maturidade é o que separa previsibilidade de exposição — e crescimento sustentável de risco desnecessário. Quer entender como os custos logísticos impactam hoje a margem, o risco e o planejamento financeiro da sua empresa?
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